TEXTO RENAN GOULART
Desde as origens do pensamento filosófico, o significado da beleza e a natureza da arte têm sido objeto de estudo de vários filósofos. Na antiguidade, Platão refletiu sobre o assunto e, para ele, o belo é o bem, a verdade e a perfeição. A ideia suprema da beleza pode determinar o que seja mais ou menos belo. Tais concepções filosóficas vão permear a arte grega e ocidental por um longo período.
No século 18, devido à grande ebulição em que se encontram as sociedades europeias, novas ideias surgem e o conceito de belo entra na crítica da obra de arte em parceria com as noções de gosto, equilíbrio, harmonia e perfeição. Segundo Emanuel Kant, “O belo é o que agrada universalmente, sem relação com qualquer conceito”. Por ser surpresa e não depender da intenção, o belo é o natural para Kant.
Na modernidade, o ápice do estudo da estética foi com Hegel, que concorda, de certa forma, com Platão ao abordar a questão do ideal e do belo. Para ele, “a beleza só pode se exprimir na forma, porque ela só é manifestação exterior através do idealismo objetivo do ser vivente e se oferece à nossa intuição e contemplação sensíveis”.
A dificuldade de se estudar a Estética, para Hegel, é devido ao fato de que seu objeto de estudo - o belo - é de ordem espiritual. O belo não é de existência material, mas de subjetiva, intimamente unida à atividade espiritual de cada indivíduo. Se o belo é algo espiritual, não possui realidade física, pertencendo ao plano da imaginação do sujeito. Se o verdadeiro conteúdo do belo não é senão o espírito, tal dificuldade não é compro-metedora, afinal, no centro do espírito está Deus, que é o ideal.
Segundo ele, existe o belo artístico e o natural, que se diferenciam. O belo da arte está ligado com a pureza do espírito enquanto o belo natural com a realidade da natureza.
Sua análise exclui o belo natural, deixando-o em segundo plano, pois privilegia o belo artístico por considerá-lo superior. O espírito precisa desenvolver seu potencial enquanto que a natureza já possui rígidas regras e todas as condições determinadas.
Assim, Hegel contraria o pensamento corrente que considera a beleza da arte inferior a da natureza. Ao contrário de Kant, Hegel pensa que o momento central do belo é a ideia. Também refuta a proximidade da beleza artística com a natural, pois imitar não é a maior virtude do belo da arte, que é o único com interesse estético. O belo artístico é um produto do espírito, portanto, só pode ser encontrado em seres humanos e em suas obras, resultados de seus desdobramentos históricos.
O Ideal do belo artístico aparece na história de três formas: a arte simbólica (a egípcia é o exemplo mais perfeito), a arte clássica (grega) e arte romântica (a do Ocidente cristão da Idade Média ao século 19). Cada uma delas é a tradução de como a imaginação tenta escapar da natureza, dar forma a um conteúdo. A espiritualidade atinge seu apogeu, segundo Hegel, com sua própria filosofia, que coincide com o fim da arte romântica. Entretanto, é uma tolice reter tal enorme ambição de Hegel, afinal, os verdadeiros sentidos de sua filosofia e estética estão contidos na dialética que está no próprio coração de seu sistema.
O Ideal do belo artístico aparece na história de três formas: a arte simbólica (a egípcia é o exemplo mais perfeito), a arte clássica (grega) e arte romântica (a do Ocidente cristão da Idade Média ao século 19). Cada uma delas é a tradução de como a imaginação tenta escapar da natureza, dar forma a um conteúdo. A espiritualidade atinge seu apogeu, segundo Hegel, com sua própria filosofia, que coincide com o fim da arte romântica. Entretanto, é uma tolice reter tal enorme ambição de Hegel, afinal, os verdadeiros sentidos de sua filosofia e estética estão contidos na dialética que está no próprio coração de seu sistema.
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