Julgamento do mundo - sua história

TEXTO TAMARA MONZANI

A história do mundo é o julgamento do mundo. Isso nos leva, então, a fazer uma análise na medida em que ela pretende ser uma aplicação da liberdade no mundo atemporal. A filosofia da história tenta responder à pergunta: Em que medida o que de fato é se aproxima do que de fato deve ser?



RAZÃO E HISTÓRIA
Hegel, em “Lições sobre a Filosofia da História”, revela a necessidade de investigar a existência de um fio condutor do processo histórico. Partindo do pressuposto de que o homem é um ser pensante e que, portanto, não pode deixar de pensar, o filósofo pretende fazer uma “consideração pensante” da história. Define história imediata, em que os historiadores vivem e pertencem aos acontecimentos que descrevem, define também história reflexiva, que transcende o presente e não diz respeito a um período de tempo particular, mas sínteses de longos períodos e, por fim, une as duas na histórica filosófica, que objetiva estabelecer uma ligação intrínseca entre os acontecimentos, descobrindo suas causas e fundamentos. Lembrando que numa perspectiva hegeliana dialética, o resultado sempre contém em si todos os momentos anteriores.

O OBJETO DA FILOSOFIA DA HISTÓRIA

Hegel distingue diferentes maneiras de considerar a história. Partindo da ideia de que a razão governa o mundo, a filosofia deve supor a existência da ideia. E a história é a sua realização. Ela é o desenvolvimento do absoluto; é Deus, caminhando no mundo dialeticamente. A ideia é o “substancial” que se determina na história. A filosofia, portanto, ao se ocupar da história, não pode se basear em alguns pontos de visita parciais, ignorando outros, mas, como diz Hegel, “seu princípio espiritual é a totalidade dos pontos de vista”. Não é seu objeto ocupar-se de situações particulares e circunstanciais, mas de um “pensamento universal, que se prolonga pelo conjunto”.

AS CATEGORIAS DA HISTÓRIA

Na história, o movimento dialético de Hegel é apresentado na forma de categorias. A questão é entender como a história se apresenta ao pensamento. E a resposta é simples. A conhecida tríade dialética é verificável na história, na forma de variação, rejuvenescimento e fim último. A variação aparece sob dois aspectos: O positivo, caracterizado como a constante sucessão de acontecimentos, transformações nos povos e Estados, onde tudo muda, tudo se transforma, nada é estático. E o negativo é que nos entristece, pois as pessoas que são mais caras para nós, têm seu fim na história, ela nos tira o que nos interessa.

O ESPÍRITO UNIVERSAL E A SUA REALIZAÇÃO NA HISTÓRIA: A LIBERDADE

Se, para Hegel, há um “fim último” no mundo, e ele deve realizar-se; é preciso que pergunte pelo seu conteúdo e pelo seu processo de determinação ou realização.
A história universal se desenvolve no âmbito do espírito. Assim, a história é a evolução do grau da consciência da liberdade e de sua realização.

O PROGRESSO DA HISTÓRIA

Um dos aspectos mais sugestivos na Filosofia da História diz respeito ao papel do que ele chama de “paixões humanas”, que são todas as ações do homem impulsionadas por interesses particulares, por fins especiais e propostas egoístas. Elas são os meios da realização do espírito universal. Hegel adverte para o fato de que aquilo que denomina princípio, fim último ou o que o espírito representa em seu conceito, num primeiro momento, é somente algo universal e abstrato. E diz haver um segundo momento necessário, que é a atuação, a realização efetiva, a atividade dos homens no mundo. Fala em “astúcia do homem”.

O PROGRESSO DO ESPÍRITO UNIVERSAL

Se a história é a consciência e realização da liberdade, onde está a evolução do espírito universal? O importante, na análise filosófica da história, é perceber que, na passagem de um momento a outro, há progresso. A substituição de formas de organização do Estado, exemplifica esse processo. A história tem uma direção, as diferentes modalidades do espírito revelam seu nexo causal imanente. Tudo o que acontece deveria acontecer. Cada acontecimento representa o resultado de um processo lógico de determinação. Dessa forma, fica claro que não há acaso na história. A ideia de progresso deve ser entendida quando tudo passa a ter necessidade de tornar-se cada vez mais perfeito. Isso se reflete em nível individual, em nível de espírito e em nível de espírito universal.






SUMÁRIO                                                                                                      

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