Metafísica e lógica ou como a ideia é real: Hegel entre nós

TEXTO MARIA APARECIDA PEREIRA DA SILVA


     Para construir uma filosofia que englobasse o seu tempo, do “movimento da vida” e da história, Hegel criou o seu próprio método. Emprestou a dialética dos antigos gregos  de Heráclito e Platão e a reformulou.
     E a dialética hegeliana ficou constituída de três etapas: a tese (ou afirmação). A antítese (ou a negação da afirmação) e a síntese (negação da negação, que é uma nova afirmação), ou seja, toda afirmação contém em si a sua própria negação. Isso gera uma relação dinâmica de enfrentamento entre opostos. Dessa contradição, resulta algo que é a superação desses opostos.
     Hegel traduziu o absoluto na superação da cisão entre sujeito e objeto do conhecimento. E a separação entre o sujeito que conhece e o objeto conhecido é apenas provisória. Mas quando o sujeito se encontra pelo lado do objeto, incorporando-o (o objeto) em uma totalidade, ele (o sujeito) ultrapassa essa superação. E se reconhece também como totalidade, como ideia absoluta.
     Assim como em São Paulo de hoje, o momento histórico que Hegel viveu e filosofou, contribuiu para sua obra ser marcada por uma tentativa de conciliar a realidade contraditória com o pensamento, isto é, a história e a filosofia. Para isso, reestruturou o método dialético, e em São Paulo, vive-se em intensidade e desmedida fragmentação do humano, de indivíduo a indivíduo, em busca da totalidade da espécie dispersa. Individual e universal, somos humanos diante de toda superação dialética e contraditória vivida e pensada.


A FILOSOFIA DO ESPÍRITO
     A Ideia em seu ser em si (Lógica) e sua própria oposição, a Ideia fora de si (Natureza) constituem a tese e a antítese do grande processo do Idealismo Absoluto, cuja síntese é a Ideia em seu ser para si (Espírito). Quando a Ideia exteriorizada (Natureza) volta-se para si mesma, torna-se espírito e aí começa a terceira etapa do sistema do saber absoluto.
     A Ideia para si (Espírito) sofre também o processo ternário da evolução dialética: na tese, o pensamento como tal conhece o mundo como objeto e constitui o “espírito subjetivo”, na antítese, sai de si mesmo e produz a ordem da liberdade, constituindo o “espírito objetivo”; por fim, na “síntese”, volta a si mesmo, liberta-se do mundo que ele mesmo produziu e constitui o “espírito absoluto”, ponto final do saber absoluto.
    Cada um destes elementos por sua vez se subdivide em três: o “espírito subjetivo”, primeiramente, é alma ou espírito da natureza e, como tal, objeto da Antropologia; depois toma autoconsciência e se torna objeto da fenomenologia; por fim será espírito perfeito e objeto da Psicologia.
      O “espírito objetivo” que se manifesta na comunidade humana, imediatamente como tal é Direito, depois se torna Moralidade; por fim união da verdade no Direito e Moralidade, o que constitui a Ética. A Ética se desenvolve na família, na sociedade civil e no Estado.
     O “espírito absoluto”, voltando-se para si mesmo, torna-se plenamente autoconsciente e manifesta sua autoconsciência de três modos: como intuição e imagem, constituindo a Arte; como afeto e representação constituindo a Religião; e como conceito, forma mais perfeita do saber absoluto, constituindo a Filosofia.


CONCLUSÃO
     Saindo do plano Lógico para o da REALIDADE, Hegel exemplifica essa relação dialética entre as coisas da seguinte maneira: A Tese é o Indivíduo; Antítese é o Povo; A Síntese é o Estado.
     “A ciência absoluta é o único objeto e conteúdo da filosofia”.
     “O que é real é racional” - portanto, não se pode negar o real sem negar também a razão.


LÓGICA DIALÉTICA
     A realidade da experiência em realidade absoluta, divina, Hegel elabora uma nova lógica e com esta racionalizar absolutamente o elemento potencial e negativo da mesma experiência - o mal metafísico, moral e físico.
    O Idealismo foi  estudado por diversos filósofos, entre os quais Hegel. É e a filosofia idealista hegeliana que se diferencia em relação às demais por atribuir ao espírito a responsabilidade última pelo desenvolvimento da história humana. Esse espírito seria o criador do pensamento, da ideia. A ideia, por sua vez, seria o fator primordial na determinação da realidade do mundo.
     Ludwig Feuerbach e Karl Marx virão por fim na filosofia clássica alemã se contrapondo ao idealismo de Hegel, criando o materialismo dialético. A questão filosófica fundamental persiste, mudou apenas a linguagem, o enfoque: o homem ainda é um ser pensante e contraditório em sua contínua transformação.






SUMÁRIO                                                                                                      

INÍCIO




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